Esta noite o céu ganhou mais uma estrela. Infelizmente. António Feio perdeu a luta contra o cancro no pâncreas e deixou-nos mais pobres.
Fiquei triste e a noticia recebida à hora de ir dormir incomodou-me.
Foi uma luta à qual todos nós assistimos. Fez questão de não se esconder, de não desistir e ainda teve força para transmitir uma mensagem positiva a todos nós.
Não sei porquê mas, depois, deitada na cama só uma imagem me invadia o pensamento.
A minha infância foi repartida entre Alverca e a aldeia dos meus pais. Aí nunca tive amigos que não fossem a família (e mesmo assim...). Mas havia uma menina que morava perto dos meus avós maternos. Ela era amiga da minha prima Sandra e inevitavelmente era com ela que brincava muitas vezes. (Lembrei-me agora das sopas de laranja que fazíamos...deliciosas por sinal!! hehe) Por circunstâncias que nunca soube muito bem, os pais mudaram de casa, de rua, e nós deixamos de nos encontrar tanto, mas sempre que me via falava-me muito bem. Tinha uma irmã mais nova, penso que da idade da minha irmã. Bem, essa menina era mais velha do que eu e hoje deveria ter uns 29 anos, talvez. Depois de um emagrecimento repentino e de vários exames, foi-lhe diagnosticado cancro. Eu estava longe, sem grande proximidade entre ambas, tudo o que ia sabendo dela era pela minha prima ou pela minha mãe. Um dia, quando lá estava de visita aos meus avós a minha mãe entra pela casa adentro a diz: "A D. está ali no posto médico. Não lhe vais lá falar". Por estúpido que possa parecer tive medo. Tive medo de encarar a realidade. Mas enchi-me de coragem e fui. Tremi quando a vi de lenço na cabeça. "Bolas", pensei eu, "que raio de vida é esta. Esta miúda é tão nova! Porquê?" Mal sabia eu que era a última vez que a via. Deixou-nos passado pouco tempo.
Ontem, depois de saber do António Feio só me conseguia lembrar dela.
Onde quer que estejam descansem em Paz!
E nós, os que cá ficamos, nunca nos esqueçamos destas palavras do António!
sexta-feira, 30 de julho de 2010
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Vida
A vida podia ser mais fácil. Menos complicada. Sem tantas preocupações. O dinheiro podia valer muito menos do que vale. Os nossos sonhos podiam tornar-se realidade. A vida devia ser um sonho e o sonho devia ser a vida.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Reportagem na Visão
Hoje de manhã deparei-me com uma bela surpresa (um dos poucos momentos bons que tive durante o dia). Ao substituir as revistas do dia pelas da semana passada, uma das "chamadas de capa" da revista Visão fez-me parar por uns momentos. "Interior deserto. A morte lenta de Arraiolos". Claro está que durante o dia todo não pensei noutra coisa senão ler o artigo. Mas como no sitio do costume não posso fazer leituras oportunas, tive que me aguentar até à hora de saída e ir a correr comprar a revista e mal cheguei a casa bebi toda uma reportagem magnificamente escrita pela jornalista Teresa Campos. Conhecendo eu aquela realidade, revi aquela gente em todas as linhas das 4 páginas que constituem a reportagem, os seus problemas, as suas angústias, e a revolta em, por exemplo, só terem médico uma vez por semana e quando têm...
Como não podia deixar de ser, o problema dos tapetes de Arraiolos também foi mencionado. Lembrei-me do projecto que deixei para trás. Queria ajudar, mas a vida já deu tanta volta... talvez um dia esqueça os problemas do sitio do costume e me agarre ao projecto e ajude aquela gente a preservar o que de belo têm: os tapetes!
Uma reportagem a não perder na Visão desta semana!
Como não podia deixar de ser, o problema dos tapetes de Arraiolos também foi mencionado. Lembrei-me do projecto que deixei para trás. Queria ajudar, mas a vida já deu tanta volta... talvez um dia esqueça os problemas do sitio do costume e me agarre ao projecto e ajude aquela gente a preservar o que de belo têm: os tapetes!
Uma reportagem a não perder na Visão desta semana!
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Errado?!
Será errado olhar para o passado e ver que nada mudou? Será errado pensar que se podia ter melhor? Será errado pensar que foi-se muito apressado ou ponderar se se fez a escolha certa? Será errado ler coisas e ficar-se invejosa querendo que aquelas mesma palavras nos fossem dirigidas? Será errado repensar toda uma vida e chegar à conclusão que era melhor nunca ter saído do ventre da mãe? Será errado pensar que a vida pode ser muito melhor com muito menos stresses e problemas por nós próprios criados? Será errado gostar que nos oiçam, concordando ou não connosco?
É errado haver fantasmas a nos atormentar.
E é errado pensar!
É errado haver fantasmas a nos atormentar.
E é errado pensar!
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Tempo
Hoje dei por mim a olhar para um casal de velhinhos. Não eram daqueles casais que não se podem ver nem ouvir. Nutriam carinho um pelo outro. Compreendiam-se. Duas imagens passaram-me rapidamente pela cabeça. A primeira foi a dos meus avós maternos. São eles que me fazem acreditar no amor eterno, no "felizes para sempre". Casados há mais de 50 anos (arrisco que já deve rondar os 60 anos), nunca os vi discutir de forma mais ríspida, muito pelo contrário. Quando a minha avó começava a desbaratar, era o meu avô que lhe dava sempre razão só para ela se calar. :) Mas a doença apoderou-se da mente do meu avô e a única coisa que hoje consigo ver é um amor imenso por aquele homem que lhe deu três filhos e que durante tantos anos a fez feliz.
A outra imagem que me veio à cabeça foi o medo que tenho do sentimento de perca, do "nunca mais te vou ver". É complicado expressar isto em palavras sem ser muito dramática... Um dia perguntei se me ias amar da mesma maneira quando fossemos velhinhos e tu disseste que sim. Hoje eu rezo todos os dias para que cheguemos os dois a essa idade, juntos e a amarmo-nos da mesma forma.
Amo-te!
A outra imagem que me veio à cabeça foi o medo que tenho do sentimento de perca, do "nunca mais te vou ver". É complicado expressar isto em palavras sem ser muito dramática... Um dia perguntei se me ias amar da mesma maneira quando fossemos velhinhos e tu disseste que sim. Hoje eu rezo todos os dias para que cheguemos os dois a essa idade, juntos e a amarmo-nos da mesma forma.
Amo-te!
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